Cultura de Paz na Escola

Violência na escola: Prática de Justiça Restaurativa uma mudança paradigmática no olhar para a indisciplina

Olhar de forma restaurativa para nossas ações diante das situações que ocorrem no nosso dia a dia pode ajudar a mudar as relações no ambiente?

As Práticas de Justiça Restaurativa podem dar suporte tanto na prevenção quanto nos fatos de violência ocorridos no contexto educacional.

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João, um adolescente de 14 anos, em uma briga na sala de aula, empurrou Carlos. Carlos cai e machuca fortemente o braço.

A professora encaminha João para a diretoria e Carlos para a inspetora de alunos para os cuidados necessários.

  • O que acontece com João, na diretoria?
  • O que acontece com Carlos que machucou o braço? Com muita dor, é levado ao hospital, onde foi constada uma fratura.
  • O que acontece na sala de aula, depois que ambos saem?
  • O que acontece com a professora?
  • O que acontece à diretora?
  • O que acontece quando os pais de Carlos tomam conhecimento do fato?
  • O que acontece quando os pais de João, mais uma vez são chamados pela direção?

Quantas pessoas envolvidas! Cada uma com um olhar para o fato, cada uma com seus sentimentos e pensamentos. Como reverbera situações desse tipo na vida de cada um?

Fatos como este fazem parte do dia a dia na escola. Os sentimentos de frustação e impotência dos educadores, impedidos de realizar a tarefa de ensinar o conteúdo da matéria, vêm crescendo afetando toda a comunidade escolar.

As práticas restaurativas tem sido uma esperança como saída na busca de um caminho para entender e poder fazer mudanças pessoais para que as mudanças institucionais ocorram e revertam o caminho.

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Como lida o fator disciplina no modelo restaurativo?

O modelo restaurativo vê o comportamento de João como um menino que tem uma necessidade que não foi atendida.  Adota a prática restaurativa – da restauração.

Como: Pergunta! Escuta!

É preciso saber o que aconteceu. Perguntar com o intuito de realmente ouvir e saber o que aconteceu. Saber qual foi o comportamento de Carlos que o levou à atitude de empurrá-lo.

  • Escutar, acreditando na versão de cada uma das partes.
  • Escutar sem julgamento.
  • Acreditar que punição não educa.
  • Acreditar que a conexão entre as pessoas faz a diferença tanto nas relações como na aprendizagem.
  • Acreditar na humanização das relações.
  • Acreditar que fazer a mudança de paradigma é um processo lento. Mesmo questionando os valores tradicionais, é muito difícil fazer a mudança. O processo de reflexão individual pode ajudar nessa empreitada.

Muitas vezes a ação restaurativa é vista como “passar a mão na cabeça” e com isso, depreciada, rechaçada… É importante salientar que, ao contrário do que se pensa, a Justiça Restaurativa tem uma preocupação com a responsabilização pelo ato praticado à vítima culminando o processo em um plano de ação que inclui a reparação do dano pelo autor.

Escrito por Violeta Daou – Equipe Justiça em Círculo –

em colaboração com ITKOS Mediação.

 


Violeta Daou é Psicóloga e Mediadora de Conflitos – capacitadora, coordenadora e docente em Mediação e Práticas de Justiça Restaurativa. Sócia Fundadora do Mediativa, Sócia do Instituto THEM –Transformação Humana em Educação e Mediação. Docente nos cursos de Mediação Transformativa de Conflitos – Instituto Mediativa, Escola Superior do Ministério Público e Instituto THEM. Coordenadora na implementação de projetos de práticas de Justiça Restaurativa em diversos contextos e locais no Brasil. Integrante da equipe Justiça em Círculo – Equipe de Capacitação de Justiça Restaurativa.


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